12-07-2009

Love Story


Ali MacGraw (Jennifer Cavalleri) & Oliver Barrett IV (Ryan O'Neal)


Uma das mais belas histórias de amor filmadas, uma das mais populares, ideal para rever num domingo à tarde. Ali MacGraw e Ryan O'Neal são um casal apaixonado. Comovente interpretação. Esta história de 1970, sobre o grande amor de uma vida, foi o filme de maior sucesso da Paramount até àquele época, recebeu sete nomeações para o Oscar (incluindo Melhor Filme, Actor e Actriz) e ganhou o Oscar pela música de Francis Lai. "Amar significa nunca ter de pedir desculpa".

Love Story, 1970, Arthur Hiller

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Toda a acção é necessariamente mal conhecida. Para que não expressemos contradições de momento a momento, precisamos de uma máscara - como acontece se quisermos ser sedutores. Mas é preferível conviver com os que mentem conscientemente, porque esses também sabem ser verdadeiros conscientemente. Porque, a sinceridade habitual não passa de uma máscara, da qual não temos consciência.
Friedrich Nietzsche
'A Vontade de Poder'

09-07-2009

código desconhecido

Não tenho escrito nada. Não tenho tido tempo. Adormeço cedo. Acordo cedo. Trabalho, mais trabalho, igualmente trabalho e quase só trabalho. Não posso afirmar isto, perigoso, mas afirmo, ainda assim. Se comento, ouço sempre o mesmo: ainda bem, estamos em tempo de crise. Pois, e alguém se queixa do excesso do trabalho por pesar, digo, os profissionais liberais? Não. Ou se sim não. Óbvio. Desabafos, meros desabafos. Isto é generalizado, não podemos comentar muita coisa. A conhecidos, ou desconhecidos. Tenho esta tendência, de falar, de escrever, de dizer o que bem me apetece, sobre mim; mas, também, de ouvir, de pensar, de respeitar os outros naquilo que falam e desabafam comigo. Sem moralismos, sem opinar se fazem ou não fazem bem, se têm ou não têm razão. Em frente aos visados, claro. Os pensamentos, esses podem voar. Os amigos, esses podemos, mas ainda assim só se pedirem. As pessoas, em regra, gostam de desabafar. Os outros, em regra, gostam de opinar. Se fosse eu! Absurdo. Incoerente. Não há códigos conhecidos. Nem desconhecidos. Só pensar em nós para respeitar os outros. Não ter medo. Sobretudo isso. Respeito e ausência de medo. Tudo brotaria muito melhor. Código desconhecido. As inconfidências são cada vez menos. Os desabafos, pior. Stop. A escrita, essa, há tantos outros assuntos.

04-07-2009

Pina Bausch

Pina Bausch, 68 anos, morreu no dia 30 de Junho de 2009, vítima de cancro. "Cada vez que morre um criador, o mundo fica menos luminoso", afirmou Maria João Seixas, sua amiga. Sem mais palavras, aceito. Masurca Fogo foi a coreografia que fez para a Expo 98. Eu estive lá, mas não vi. Pena. Preciso de ir a Lisboa para assistir ao que não vem aqui ao Porto. Vou empurrar gente do Porto para minha companhia. Pina Bausch gostava de Lisboa, de ir a casas de fado e de se deitar tarde. Lisboa, li, fazia-a sorrir. Eu sorri sempre que a vi, nomeadamente, em Hable Con Ella de Pedro Almodóvar. Sempre com doses de melancolia (sou português). Sempre com emoções em catadupa. Sempre com muito riso e alegria embora às vezes não aparente. Pina Bausch ainda dançava.

30-06-2009

Paris, Texas


Aos dezoito anos vi, com uma grande amiga, pelo menos a que sentiu as mesmas minhas emoções, as três cenas do filme Paris, Texas, as que ficam aqui registadas. É o filme das nossas vidas, o meu e o dela, desde esses nossos dezoito anos. Nenhum filme, até ao momento, a mim, me causou tanta emoção ao sair de um cinema, o Charlot, hoje inexistente. Viemos a cambalear, os dois, tamanha a emoção, por aquele cinema abaixo, no fim do filme. Claro, eu já estava apaixonado pela Nastassja Kinski. Claro, ficamos esgotados com a actriz (eu), com o deserto, com a música, com os silêncios, com a solidão daqueles grandes espaços desérticos, absolutamente áridos, filmados por Wim Wenders. Por tudo ! Nunca mais fez um filme assim, o realizador. Também, não é fácil chegar tão longe. Aqui fica um bombardeamento de imagens e cenas do filme. Lembras-te?

first cabin scene

second cabin scene and the end





28-06-2009

As tears go by

Mick Jagger/Keith Richards
Vanessa Paradis

eu e os outros, os outros e eu

Comovi-me. Sim, não é difícil, a emoção apoderou-se mais uma vez. Falei com várias pessoas, daquelas que vão de um extremo ao outro. Tudo começou num bar da moda, gente politicamente correcta, gente com aparência de tudo aquilo que quer parecer o que não é. Hollywood de Portugal. Na pior das hipóteses. Ironias à parte. Gente, aparência, mau gosto, bom gosto, aragem, tudo com o parecer que tudo é assim que deve ser mas nada deve ser como aquilo. Incongruências. Incertezas. Deles, não minhas. Inconfidências, essas minhas. Não sou quem deveria estar ali, a minha imagem correspondia, a cabeça não. Depois saí, cansei-me, decidi aceder a um convite feito há muitos tempos. Há tempos demais, nunca acedi, o meu mundo também não é aquele. Mas acedi. Fui. E fui muito bem tratado, bem mais tratado do que noutro sítio qualquer. Gente genuína, gente com emoção, gente com coração. E isso é tão importante. Isso, das boas pessoas, da boa gente, mesmo que não seja gente como nós, como eu, mas gente com coração. E, por mais trivial, gosto disso. Aqui foi o oposto. Ou seja, a minha imagem não correspondia, a cabeça era emoção. Vou ter de filmar estas coisas, o tempo ainda dá tempo. O tempo dá sempre tempo. Se soubermos e se quisermos. E quero, claro. Nada mais, pouca coisa mais, mas senti-me livre. Livre e com vontade de parecer aquilo que realmente quero ser. Verdadeiro. Honesto. Leal. E são essas coisas que me fazem respirar. Essas e as que tenho em casa. E nada é incompatível desde que tudo seja como no poema da Sophia de Mello Breyner Andresen. Eu e os outros. Os outros e eu. Afinal, tudo tão simples.

27-06-2009

...


Porque os outros se mascaram mas tu não
Porque os outros usam a virtude
Para comprar o que não tem perdão.
Porque os outros têm medo mas tu não.
Porque os outros são os túmulos caiados
Onde germina calada a podridão.
Porque os outros se calam mas tu não.

Porque os outros se compram e se vendem
E os seus gestos dão sempre dividendo.
Porque os outros são hábeis mas tu não.

Porque os outros vão à sombra dos abrigos
E tu vais de mãos dadas com os perigos.
Porque os outros calculam mas tu não.

Sophia de Mello Breyner Andresen