21/10/09

O Túnel

Livro sobre a solidão, sobre a incapacidade de entendimento dos outros, ou a busca incessante da procura de intenções alheias. Muitas vezes acertamos, outras erramos, os juízos de valor são sempre aleatórios, perigosos e podem ter consequências terríveis. Tão terríveis, como diz o personagem Juan Pablo Castel, que desejamos livrarmo-nos de nós. “Senhor, livra-me de mim”. Ao tentar livrar-se de si, livra-se da mulher que ama, a única que talvez o tenha compreendido e que por isso decidiu matar. Impossibilidade de comunicação, nunca somos o todo de nós mesmos, o "túnel" da vida tem de ser percorrido como um acto solitário. Por mais dolorosa que seja essa solidão não é possível que terceiros decidam por nós. Por mais que amemos, por mais que respeitemos, os outros, os nossos, somos sempre só nós a decidir sobre o "túnel" a percorrer.

Juan Pablo Castel, pintor, apaixona-se por uma mulher que foi visitar a sua última exposição, Maria Iribarne. Será essa a única mulher (pessoa) que percebeu a sua pintura, um dos seus quadros e que por isso o irá compreender a ele? Será que é Maria Iribarne, mulher misteriosa, que não consegue comunicar com os outros, sendo assim apresentada por ele como uma pessoa egoísta? Ou será Juan Pablo Castel que não consegue comunicar com as pessoas, com essa mulher, com todos, e entra numa espécie de espiral de reflexões precipitadas? Ou não? Estará louco? Ou lúcido? E porque é que Juan Pablo Castel, detalhadamente, desde o início do livro, procura encontrar razões para o acto que cometeu, o assassinio da única mulher capaz de o compreender? «Existiu uma pessoa que poderia entender-me; mas foi precisamente essa pessoa que matei»

Obra-prima absoluta.

O Túnel, 1948
Ernesto Sabato


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